A música e o carnaval de Cabo Frio, mais uma vez, estão de luto. No mês passado, a cidade perdeu Kleber da Silva Costa, o Seu Binho, aos 93 anos. Nesta quarta-feira (24), morreu, aos 63 anos, José Corrêa de Menezes Filho, o Maestro Jessé, ou, simplesmente, Jessezinho.
O maestro Jessezinho deixa a viúva Nádia Aparecida do Amaral Menezes e os filhos Jéssica e Yuri Menezes. O velório será nesta sexta-feira (26), a partir das 9h, na Capela do Portinho, e o sepultamento ocorrerá ao meio-dia, no Cemitério Santa Izabel.
Assim como Seu Binho, Jessezinho também era músico da Sociedade Musical Santa Helena e, juntos, foram fundadores do tradicional bloco Parókia, do qual Jessé era presidente de honra desde que se mudou para São Paulo, há cinco anos, para cuidar de complicações nos rins. Ele estava na fila de espera por um transplante.
Filho do também maestro Jessé, Jessezinho formou e inspirou gerações de músicos de sopro. Instrumentista e integrante da Banda de Alcione há três anos, Rodrigo Revelles lembra de Jessezinho como “um paizão” no aprendizado musical e na formação moral e ética.
— Me mostrou os caminhos a seguir — diz Revelles. — Estudei com o pai dele, o Seu Jessé, e toquei com Jessezinho na região inteira. Era uma pessoa muito especial. Aprendi muito e tenho enorme admiração. E mais: ele me ensinou a admirar obras de grandes músicos brasileiros — completa.
Outro músico, Feliselsso Guimarães, lembra ter começado a carreira com Jessezinho, na Santa Helena, ainda na adolescência. Além da banda, foram companheiros, entre outros grupos, da Orquestra Tropical, do Grupo Kaô e da Banda do Colégio Miguel Couto, além de inúmeras orquestras carnavalescas.
No ano passado, Jessé foi o homenageado oficial do abadá do bloco Parókia no Carnaval de 2025, com o enredo “Ao Mestre com carinho, viva Jessé Menezes”.
Mesmo afastado do carnaval por questões de saúde, permanecia como presidente de honra do bloco Unidos do Parókia. Durante anos comandou a Banda Santa Helena, dando continuidade a uma tradição familiar: herdou do pai não apenas o nome, mas também a função de maestro. Foi ele quem recebeu os ensinamentos para comandar uma das mais tradicionais bandas de Cabo Frio, responsável por apresentações em ruas, desfiles e eventos que marcaram gerações.
Em entrevista concedida em 2018, durante as comemorações dos 81 anos da Sociedade Musical Santa Helena, Jessé destacou o orgulho de dar continuidade ao legado da família.
— Sou privilegiado por ter essa herança musical do meu pai e espero poder ensinar também ao meu filho — comentou na época.
A notícia da morte de Jessezinho provocou comoção entre músicos, integrantes do carnaval e pessoas ligadas à cultura da cidade, que prestaram homenagens nas redes sociais.
A ex-presidente do Unidos do Parókia, Fernanda Carriço, relembrou a convivência com o maestro durante os carnavais.
— Foram muitos carnavais juntos. Você me ensinou o amor pelo Parókia. Obrigada por tanto — escreveu.
A organizadora e produtora do Santo Samba, Luciana Branco, também prestou homenagem.
— Desde o primeiro dia com o Santo Samba. Inspirado e inspirador. Quanta admiração e respeito pelo músico que você foi! Toque muito aí no céu! — postou





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